quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
O profissional de Rede Sociais
Autor: Caio Lauer
Atualmente, empresas dos mais variados segmentos estão presentes nas redes sociais. Mas, o que muitos não sabem, é que para administrar estes perfis em sites como Facebook e Twitter, existe um profissional dedicado exclusivamente à esta atividade: o analista de mídias sociais. Esta profissão vem ganhando bastante espaço no mercado, mas ainda existe inexperiência nesta atividade.
A intenção é humanizar a relação da organização com as pessoas e o analista é quem faz a ponte entre a empresa e o consumidor/cliente. Este profissional deve redigir bem e ser bom em relacionamento pessoal. “Uma formação superior em comunicação (Publicidade ou Jornalismo) ajuda para compreensão de hábitos de uso e consumo das mídias sociais por diferentes perfis de público. Também ajuda para aplicação de pensamento estratégico por meio de ferramentas de comunicação e marketing”, explica Andrei Scheiner, coordenador do curso de Comunicação Social do Centro Universitário Plínio Leite (Unipli).
As empresas utilizam as redes sociais a fim de promover campanhas e criar um canal de relacionamento com seu público. As atividades rotineiras do profissional são baseadas em divulgar informações que vão atrair pessoas em determinados assuntos. Após esta ação, o importante é reter os usuários nas páginas, então o analista deve sempre publicar conteúdo relevante para que estas pessoas continuem acompanhando o canal da empresa. A terceira etapa do processo é criar o chamado vínculo com os consumidores, com ações que humanizem a marca. “Temos clientes governamentais que criam páginas nas redes com a intenção de prestar serviço para o cidadão. Trabalhamos com uma página de Twitter que funcionou como uma ouvidoria. Reunimos as reclamações e encaminhamos às secretarias competentes”, conta Marcelo Ottoni, diretor de criação da Talk Interative, empresa de estratégias digitais.
Formação
A primeira dificuldade no mercado é que as instituições de ensino ainda não oferecem cursos consolidados neste segmento. Hoje, já existe nas grades curriculares de faculdades, disciplinas relacionadas às mídias sociais, mas nada muito especializado. A tendência é que os profissionais busquem no próprio mercado de trabalho esta capacitação. “Eles precisam dedicar um precioso tempo a estes canais. E logicamente, entender bastante do negócio em que atua. As redes são oportunidades também, além de interação, de gerar negócios. Já vimos cases de grandes empresas, como uma grande construtora que vendeu um imóvel pelo Twitter, por exemplo”, diz Carolina Stilhano, gerente de Comunicação da Catho Online.
Hoje, há uma certa banalização da profissão por muitos gostarem de redes sociais, como usuários, e acharem que podem trabalhar neste ramo. Este é um problema que acompanha o mercado digital.
Assim como a criação de sites, no início da internet, era feita de forma semi-amadora, no cenário das redes sociais acontece da mesma forma. “É fácil criar um perfil pessoal em um site de relacionamento. O difícil é pensar em uma estratégia, definir uma atuação, olhar para a necessidade da empresa e, a partir daí, fazer um planejamento estratégico de como este veículo atenderá a demanda”, explica Marcelo Ottoni.
As empresas, ao criarem perfis em canais com Facebook e Twitter, devem ter a consciência que abriram uma porta de comunicação com o mercado consumidor.
Fonte: O profissional de Rede Sociais | Portal Carreira & Sucesso
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Colaborador, funcionário ou mercenário?
Embora sejam usadas como sinônimas essas palavras têm significados diferentes no ambiente de trabalho
Nelson Fukuyama*
Eu sempre ouvi e usei as palavras "colaborador" e "funcionário" como sinônimos quando a gente deseja se referir a um profissional ou aos profissionais de uma organização. A gente costuma dizer "Esse é Fulano, colaborador de minha organização", "Este é Sicrano é funcionário de minha organização" ou ainda quando se dirige aos profissionais durante uma palestra ou se escreve um memorando começando por "Prezados Colaboradores". Já "mercenário" é mais usado quando se quer falar de um determinado jogador, em um ambiente esportivo; "tal jogador é um tremendo de um mercenário, vive trocando de clube por melhores condições salariais". Essas três palavras podem ter um sentido comum no dia a dia dentro de uma organização. Veja.
Referir-se a algum profissional como Colaborador certamente não é difícil de entender que ele é aquele que está sempre à disposição de sua organização para ajudá-la a desenvolver suas atividades visando atingir seus objetivos. É o profissional que não só procura cumprir as suas funções regulares mas que extrapola essas funções, colocando todo o seu talento à disposição de sua organização, a toda hora, em qualquer circunstância e condição. É aquele que você sabe que se der a ele uma determinada tarefa, você pode esperar que ele trará novas idéias e certamente bons resultados. Ele fará tudo para exceder. Para ele, será uma ofensa e ele se sentirá muito mal se concluir a tarefa sem acrescentar algo inovador, uma informação relevante para a organização. Ele dedicará tempo e esforço, muitas vezes deixando seu lazer e idéias próprias para desenvolver bem a sua tarefa.
Já quando a gente se refere a um profissional como "Funcionário" a gente pode estar deixando de se referir a ele como alguém dedicado. Essa palavra parece estar mais relacionada ao profissional que simplesmente cumpre as funções que lhe são determinadas. Comparece ao trabalho, e essa parece ser a expressão mais correta, no horário, permanece nas dependências da organização durante o expediente determinado, sempre com o pensamento em atividades diferentes à aquelas que deveriam ser motivos de sua preocupação, faz alguma coisa que lhe é "mandada" fazer, e normalmente tem que refazer algumas tarefas por falta de atenção, e "larga a caneta" ou o instrumento de trabalho rigorosamente no horário determinado, e nem um segundo a mais.
Agora, quando a gente se refere a um determinado profissional como "Mercenário", certamente não se trata de uma boa qualificação. Esse profissional certamente é aquele que só produz se houver uma recompensa. Seria uma espécia de "Muttley" dos desenhos da tevê, lembra? O cachorro que só queria medalha. Esse só comparece ao trabalho quando vê a oportunidade de ter um ganho extra, seja uma remuneração, seja para marcar presença perante seus superiores. Esses profissionais dão uma impressão de que estão na organização apenas para participarem de grandes eventos e só se dedicam à organização para terem ganhos pessoais. Para esses parece não haver compromissos, colegas, regras, vale mais o interesse pessoal.
Idealista como sou, penso que um profissional deva se esforçar mais para ser reconhecido pela sua organização Colaborador porque é exatamente essa qualidade de se dedicar aos interesses profissionais que as organizações estão buscando e é essa qualidade que pode alavancar sua ascensão dentro da organização e também a sua carreira profissional. Ainda que a falta ou a baixa qualificação técnica possa ser um aspecto fundamental no mercado de trabalho, as organizações dão muita importância para os profissionais que demonstram disponibilidade e disposição de ajudá-la a atingir bem os seus objetivos.
*Nelson Fukuyama é Editor Chefe do portal DicasProfissionais e Diretor da Yama Educacional. Todas as suas matérias refletem as suas experiências profissionais presenciadas durante anos como consultor e executivo de empresas nacionais e multinacionais. A reprodução total ou parcial é autorizada desde que citada a autoria e o portal Dicas Profissionais. (www.dicasprofissionais.com.br).
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Procurando um emprego? Veja quais os limites nessa busca
Especialistas analisam quais atitudes vão longe demais; lembre-se de que nem sempre vale tudo por uma vaga
Infomoney
Não, não e não! Há certos comportamentos que simplesmente não devem ser adotados na hora de procurar uma vaga de emprego, independemente do desespero do interessado. E as redes sociais são as principais ferramentas que permitem aos candidatos adotarem as piores posturas possíveis.
A sócia-diretora do grupo DMRH, Maíra Habimorad, explica que redes sociais diferentes possuem diferentes finalidades. O Facebook, por exemplo, é uma rede muito mais pessoal do que profissional, portanto, adicionar uma pessoa com interesses profissionais dificilmente será bem visto.
Na prática, se encontrou o perfil do gerente de uma empresa na qual gostaria de trabalhar e tentar adicioná-lo, ele vai se sentir muito mais invadido do que interessado nas suas qualificações, a ponto de lhe oferecer uma vaga de emprego. Maíra lembra que nessa rede social, as pessoas colocam fotos de família e interesses pessoais e não estão interessadas em adicionar contatos que nunca viram na vida e que ainda só possuem interesses profissionais.
O LinkedIn e o Twitter são opção melhores para esse tipo de abordagem, mas também com algumas ressalvas. Lembre-se de que profissionais em posições estratégicas, ou seja, aqueles que têm o poder de contratar pessoas, são bombardeados com esse tipo de solicitação. Logo, adicioná-los sem critério pode até não ser uma postura invasiva, mas dificilmente será efetiva.
Genérico demais - esqueça!
O mais adequado é abordá-los explicando o que você deseja. Ao contatar um profissional de RH, um headhunter ou mesmo o gerente de uma área da qual você tem informações de que está procurando por candidatos, deixe claro quais são os seus interesses. Explique como descobriu a oportunidade e se estão interessados em receber seu currículo.
Os recrutadores dão muito mais atenção aos candidatos que explicam onde encontraram seu contato ou por quem foram indicados do que aos currículos que recebem sem explicação nenhuma, enviados de forma genérica com títulos como: “a quem possa interessar”.
Assim, mandar e-mail sem critério não necessariamente configura invasão, mas, por outro lado, poderá ser o mesmo que nada. Outra atitude que pega mal, conforme explica o diretor de operações da Human Brasil, Fernando Montero da Costa, é mandar currículo para vagas que não têm nada a ver com seu perfil.
“As empresas de colocação gostam de receber currículos, mas não querem ser incomodadas com candidatos que não têm o perfil da vaga. Elas trabalham bem focadas”, explica Costa. Isso quer dizer que, se um recrutador solicitou candidatos para uma vaga de engenheiro mecânico e recebe um currículo de um profissional de tecnologia da informação, o tempo dele está sendo perdido. “É o lixo eletrônico. O candidato perde seu tempo e faz o recrutador perder o dele”, explica Costa.
Não force a barra
Atitudes que devem ser evitadas são todas aquelas que “forçam uma aproximação não desejada”, explica Costa, e elas não são poucas. Pedir ajuda de parentes e amigos, por exemplo, não será bem visto. Se o seu irmão trabalha em uma empresa na qual você desejaria trabalhar, não peça para que ele vá conversar com o RH, no sentido de lhe arrumar uma posição por meio da influência dele.
Cada vez mais as empresas se mostram contrárias a qualquer tipo de contratação que não segue o curso normal do processo seletivo. Além de antiético, pode queimar o interessado para futuras oportunidades. Maíra explica que, mesmo que um diretor de uma empresa tenha indicado um candidato para determinada vaga, a recomendação é que ele seja considerado em pé de igualdade com os demais.
É claro que os contatos são importantes, e se seu irmão ou qualquer outro parente ou amigo estiver em uma empresa na qual você gostaria de trabalhar, o mais adequado é pedir que ele veja se há oportunidades abertas e se o RH tem interesse em receber um currículo de alguém que se encaixe no perfil para participar do processo seletivo, no caso, você.
Outra situação que ocorre com certa frequência é quando um profissional conhece um recrutador ou mesmo o gerente de uma área em feiras, congressos, encontros e mesmo em eventos de empregos. Ao receber um cartão, por exemplo, e tiver interesse de enviar o seu currículo para o recrutador ou gerente, explique primeiro seus interesses.
Deixe claro que você está buscando uma oportunidade e pergunte se o profissional tem interesse em avaliar o seu currículo. Se houver uma resposta afirmativa, mande seu currículo, mas não fique em cima. “Se você encaminhou o currículo, não fique mandando e-mail, cobrando, indo atrás. Se a empresa tiver interesse, ela vai te contatar”, diz Costa.
Quer trocar de área dentro da empresa?
Se o profissional atua em determinada área dentro de uma empresa, mas tem intenção de trocar, é preciso considerar alguns elementos. Mesmo que você tenha conhecido o gerente ou diretor da área de interesse em alguma reunião, não é recomendado mandar e-mail direto para ele.
Maíra explica que, primeiro, o profissional precisa alinhar esse interesse com o gestor da área atual e depois ainda buscar o recursos humanos da empresa para entender como o processo funciona. Na prática, se você trabalha na área de marketing, mas que ir para finanças, primeiro sente com o seu chefe e explique seu interesse.
Depois, siga para o recursos humanos e questione-os se você pode participar do processo, que está interessado e que acredita que é um bom candidato para a vaga. Só depois disso você pode pensar em entrar em contato com o gerente da outra área e, ainda assim, pergunte primeiro se você poderia mandar seu currículo para análise.
O processo pode ser mais longo, sim, mas é o mais correto e pode aumentar suas chances de efetivamente conseguir o que quer sem destruir suas chances ou se queimar na sua própria área.
Terminei meu curso: quem me arranja um emprego?
Com um diploma na mão e várias interrogações na cabeça, muitos profissionais sentem-se "perdidos" na hora de deixar a vida acadêmica e iniciar uma carreira.
Por Simão Mairins, Revista Administradores
Se perguntarmos a qualquer criança o que ela quer ser quando crescer, muito provavelmente a resposta estará na ponta da língua. O caminho para a carreira brilhante arquitetada em sua cabeça é descrito mais facilmente ainda: escola, faculdade, emprego dos sonhos. Longe do mundo da imaginação, no entanto, as coisas já não são tão simples. Quando – em vez da bicicleta, do desenho animado e da tarefa de casa – as preocupações são a realização pessoal, o futuro profissional e o bolso, encontrar um rumo é o maior obstáculo para muita gente.
Quando dizem que sem um diploma é difícil conseguir um futuro na vida, parece que, com ele, tudo será fácil. Ledo engano. Não são poucos os profissionais que, recém-formados, enfrentam o drama de não saber o que fazer. Nessas condições, muitos têm dificuldade de conseguir emprego. E, entre os que conseguem, outros tantos atuam em áreas diferentes das quais se graduaram.
"O mercado parece, no momento, não ser capaz de aproveitar estudantes de tantos cursos superiores formados a cada semestre. Além disso, muitos estudantes já trabalham enquanto estudam, e preferem continuar investindo nas empresas em que atuam – embora, eventualmente, em áreas diversas da formação acadêmica", explica Elizabeth Carvalho, diretora de Grupos de Estudos da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Rio Grande do Sul (ABRH-RS).
Imagem: ThinkStock
No caso dos graduados em cursos multidisciplinares, como Administração, a diversidade de campos em que se pode atuar é um ponto favorável na disputa por uma vaga, seja ainda na busca por estágios ou já no mercado profissional. "A flexibilidade da grade ajuda bastante", destaca Eduardo Oliveira, superintendente de operação do Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE.
Para alguns recém formados, entretanto, a variedade de opções significa dúvida. "Em Administração, cada disciplina cursada é uma área de atuação dentro de uma empresa. Então, qual área seguir? Em que me especializar? Qual área está tendo mais carência no mercado? Qual o perfil dos profissionais que as empresas estão procurando?", indagou-se Cintia Patrícia Santos, ao fim da sua graduação em Administração com Habilitação em Marketing.
Na faculdade
Planejar a vida profissional ainda durante a graduação é um bom começo para minimizar as dificuldades após a conclusão do curso. "É importante que o estudante se familiarize com as opções oferecidas pelo mercado enquanto está na faculdade, o que pode ser feito por meio de estágios, visitas técnicas a empresas ou participação em grupos de estudo, nos quais a convivência com profissionais já atuantes no mercado vai ajudá-lo a construir uma ideia mais realista do ambiente profissional e de suas alternativas", afirma Elizabeth.
A analista de projetos Tatiane Oliveira sabe bem da importância disso. "Estagiei durante dois anos e, ao fim, fui contratada", afirma, ressaltando que a experiência foi um fator decisivo, já que, na maioria das empresas, é uma dos requisitos na hora de contratar. De acordo com Eduardo Oliveira, do CIEE, "o índice de efetivação de estagiários no Brasil é de 64%, e só não é maior porque, no caso das empresas públicas, é necessário concurso para que um profissional seja efetivado".
Na hora de procurar uma atividade prática durante a graduação, no entanto, é necessário tomar alguns cuidados. Caso contrário, as consequências para o futuro profissional podem acabar não sendo positivas. "Em primeiro lugar, analisar a compatibilidade com o que se está cursando, pois é o que vai agregar valor. Depois, ponderar se vai ser mesmo possível conciliar com os estudos", ressalta Eduardo Oliveira.
Com as experiências práticas, os estudantes podem conhecer melhor a profissão em que pretendem atuar, além de terem ali uma oportunidade de identificar se aquela é mesmo a carreira que quer seguir. "Sugerimos que os alunos conheçam as possíveis áreas de seu curso e se candidatem para aquelas oportunidades com as quais tenham realmente afinidade ou interesse em seguir carreira. Dessa forma, irão aprofundar seus conhecimentos e adquirir prática", destaca Patrícia Bach, coordenadora de Seleção da Link/ABRH-RS Estágios.
Com o diploma na mão
Manter-se presente no mercado, mesmo que sem emprego, é a primeira dica para os recém-formados. "É fundamental não se afastar do ambiente profissional, participando de eventos que agreguem conhecimentos e possibilitem se informar sobre oportunidades de trabalho ou de experiências relevantes. Recomendo manter o foco e formular uma agenda de ações e compromissos, que o mantenham em atividade, aproximando-os dos seus objetivos", ressalta Elizabeth, da ABRH/RS.
Ativar o network nesse momento também é indispensável, pois é por esse canal que costuma surgir a maior parte das propostas de trabalho. "Após a formatura, é interessante acionar a rede de relacionamentos, que pode repassar oportunidades interessantes para o início da jornada profissional", completa Elizabeth.
Por fim, a especialista afirma que, aparecendo uma chance, o ideal é aceitar, mesmo que não seja ainda a vaga considerada ideal para os planos do profissional. "O objetivo primordial, nesse momento, é a aquisição de experiência. Um projeto desafiador, que proporcione aprendizagem e valorize seu currículo, deve ser considerado", destaca Elizabeth. A analista de projetos Tatiane Oliveira é um exemplo de quem seguiu essa dica e se deu bem. "Comecei em uma área totalmente diferente da minha e depois tive a oportunidade de evoluir dentro da empresa", conta.
Antes de dizer sim, no entanto, é preciso prestar atenção nas armadilhas. Um cuidado importante nesse momento deve ser com a reputação de quem contrata. Associar-se a empresas ou profissionais que não possuam boa fama no mercado – ou apresentem valores e métodos de trabalho questionáveis – pode pesar desfavoravelmente no futuro.
sábado, 14 de janeiro de 2012
Namoro no trabalho
Segundo especialista em recursos humanos é preciso cautela para que envolvimento amoroso não cause danos à carreira.
Por Rômulo Martins
No horário nobre da rede Globo, a novela “Insensato Coração” traz ao público um tema bastante delicado: namoro no trabalho. Escolhido pela proprietária do Grupo Drumond para ocupar o cargo de gerente, Raul Brandão (Antônio Fagundes) provoca a ira da chefe e executiva Carolina Miranda (Camila Pitanga) que, após voltar de licença-maternidade, é forçada a demitir a então gerente Claudia (Cristina Flores) e pôr Raul no lugar.
Mas logo Carol reconhece a competência de Raul e os dois se aproximam. O ódio inicial da executiva por seu subordinado transforma-se em paixão. O que eles não imaginavam é que o relacionamento, mantido em segredo na empresa, pudesse causar agravos à vida profissional. Carol e Raul esquecem um importante contrato em um quarto de motel. Na tentativa de recuperar o documento o gerente retorna ao local, mas não obtém sucesso. Para continuar juntos ambos pedem demissão.
Casos parecidos com o de Raul e Carol não ocorrem apenas na ficção. A supervisora de call center Paula Frazão, 26 anos, conta que, por receio, não revelou o namoro com o atual marido, quando o conheceu há seis anos na empresa em que trabalha, em São Paulo. “Na época tinha um cargo de confiança, fiquei com medo de as pessoas acharem que o estava protegendo.”
O casal não esperou que a relação causasse danos à vida profissional. “Ele dizia que não dava certo namorar e trabalhar junto. Após quatro meses de relacionamento resolveu pedir demissão”, narra Paula.
Segundo Cintia Bortotto, psicóloga e especialista em recursos humanos pela Fundação Getúlio Vargas, são muitos os riscos de manter um relacionamento amoroso no ambiente de trabalho. “O mundo corporativo envolve relações de poder e influência, e relações afetivas sempre influenciam no profissional.”
Sem transtornos
O supervisor de qualidade Rodrygo Pacheco Gomes, 25 anos, diz que não passou por desconforto quando resolveu namorar uma colega de trabalho. “Procuro conhecer a empresa. Quando comecei o relacionamento já existiam outros casais formados.”
Rodrygo não tinha relação de chefia ou subordinação com a namorada. “Ela era de outro departamento.” Segundo ele, com profissionalismo, o envolvimento amoroso entre profissionais que atuam na mesma empresa não prejudica o trabalho.
Cuidados
Cautela nunca é demais quando se fala em relações amorosas com o parceiro de trabalho, mesmo em empresas que permitem a prática, adverte a psicóloga e especialista em recursos humanos Cíntia Bortotto. “Demonstrações de afeto no ambiente de trabalho não combinam. É preciso seriedade e profissionalismo.”
Outro hábito desagradável, segundo a psicóloga, é seguir os mesmos horários que o parceiro e deixar de se aproximar dos demais colegas por conta do namoro. “A hora do cafezinho e do almoço também é hora de fazer networking. Muitos profissionais se privam desse momento por conta do relacionamento.”
De acordo com Cíntia, o casal não deve esconder do chefe a relação. “É uma atitude antiética e incorreta. O melhor é fazer da forma correta para não causar ruído, pois de uma forma ou de outra as pessoas acabam descobrindo.”